A história do Auditório Cláudio Santoro está diretamente ligada com a do Festival de Inverno de Campos do Jordão, hoje o mais importante festival de música erudita do País. Criado em 1.970 pelos maestros Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri e Souza Lima, o Festival de Inverno de Campos do Jordão foi inspirado no Festival de Tanglewood, um recanto da cidade de Lenox, no estado norte-americano de Massachussets. Sua primeira edição aconteceu no Palácio Boa Vista, quando o então governador do Estado, Roberto Costa de Abreu Sodré, resolveu abrir o local à visitação pública. Já em seu primeiro ano, o evento recebeu nomes consagrados da música clássica brasileira e os primeiros concertos foram realizados no salão nobre do Palácio. Daí por diante, não parou de crescer. A partir de 1973, o maestro Eleazar de Carvalho, diretor artístico do Festival na época, deu início à programação pedagógica, concedendo bolsas de estudos para jovens promissores no campo da música e criou as primeiras oficinas direcionadas a estudantes. Este caráter pedagógico, que permanece até hoje, possibilita aos jovens músicos o aprofundamento nos estudos através de aulas em tempo integral com renomados professores. Após a morte de Luís Arrobas Martins, que fora Secretário da Fazenda do Governo Abreu Sodré e Coordenador do Grupo Executivo do Palácio Boa Vista, a Assembléia Legislativa mudou o nome do evento para "Festival de Inverno Luís Arrobas Martins". Atualmente, o Festival tem um público fiel de aproximadamente 80 mil espectadores diretos, que lotam a cidade atraindo diversos eventos simultâneos. São cerca de 40 apresentações de importantes orquestras, grupos de câmara e recitais nos principais teatros e espaços da cidade. Entre eles, o Auditório Cláudio Santoro, o Palácio Boa Vista, as Igrejas de Santa Terezinha, São Benedito e a Praça Capivari, espaço este onde os concertos são ao ar livre, para milhares de pessoas. Paralelamente à programação, o Festival realiza diversos cursos de formação musical: Cursos de Instrumentos de Orquestra Sinfônica, Piano, Violão, Música de Câmara, Prática de Orquestra Sinfônica, Regência de Orquestra e Composição (aulas individuais, masterclasses, prática, grupo).
Com o crescimento do Festival de Inverno, era inevitável buscar um terreno com o objetivo de erguer um espaço para melhor acolhê-lo. O local escolhido foi uma grande área próxima ao Palácio Boa Vista e as obras de construção começaram em 1.975, durante o primeiro ano da gestão do Governador Paulo Egídio Martins. O Auditório Campos do Jordão foi inaugurado no dia 10 de março de 1.979, pelo Governador Paulo Egídio e seu secretário de Cultura, Ciência e Tecnologia, Max Feffer. O projeto é do arquiteto italiano, radicado no Brasil, Giancarlo Gasperini junto com seus amigos e sócios Plínio Croce e Roberto Aflalo, com a colaboração de Orfeu Zamboni e Igor Srenevzky, responsável pelo projeto de acústica. A sala tem o formato de um anfiteatro, sendo que a platéia foi posicionada de forma a aproveitar a inclinação natural do terreno. A laje de cobertura, quadrada, foi executada em concreto aparente e é apoiada por quatro pilares com fechamento lateral em vidro, permitindo grande transferência para o espaço exterior, numa perfeita integração ao meio ambiente. Anexas à platéia, situam-se as instalações de palco e de serviços. O foyer está posicionado na parte superior da platéia aproveitando o desnível do terreno, formando uma esplanada com a cobertura. A platéia conta com 814 poltronas e um camarote, com 48 poltronas. Salas de apoio, calefação, banheiros, acessibilidade para portadores de necessidades especiais e ótima acústica conferem ao espaço características de salas de espetáculos de nível internacional. Embora tenha sido concebido como uma sala de concertos, o Auditório abriga, sem problemas, espetáculos de dança, teatro, shows variados e conferências. Há, ainda, um conjunto de alojamentos com capacidade para abrigar até 192 pessoas. O complexo possui um total de 5.475 m2 de área construída e está instalado numa área de mata preservada de 24 alqueires. No entorno do auditório foi criado o maior museu a céu aberto da América Latina, o Museu Felícia Leirner. É um enorme jardim com 84 esculturas em bronze e cimento da escultora polonesa, falecida em 1.996. Radicada no Brasil desde 1927, a artista plástica Felícia Leirner viveu 20 anos em Campos do Jordão, cidade que foi fundamental no processo de criação de sua obra, em especial para o desenvolvimento de uma estética que aspira à fusão da arte com a natureza.
Com a inauguração do Auditório, o Festival de Inverno de Campos do Jordão ganhou a notoriedade que lhe faltava e grandes nomes da música passaram a dar aulas aos bolsistas. Os jovens músicos começaram, também, a entrar em contato com compositores experimentais como Hans Joachin Koellreutter, Almeida Prado e Cláudio Santoro. Em 1.989, após a morte do maestro Cláudio Santoro, o primeiro regente titular da Orquestra Sinfônica de Brasília e um grande compositor de música erudita contemporânea com um acervo musical de cerca de 500 obras, o Governador Orestes Quércia assinou decreto mudando o nome da sala para Auditório Cláudio Santoro. Em 2.004, passou a ser administrado pela APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte. A partir deste momento, camarins e banheiros foram reformados e as instalações técnicas foram modernizadas com o objetivo de adequar o equipamento às necessidades atuais. A programação de eventos foi diversificada e intensificada com o objetivo de oferecer mais opções à população da cidade, da região do Vale do Paraíba e aos turistas que visitam Campos do Jordão.
Auditório Cláudio Santoro | Av. Dr. Arrobas Martins, 1.880 Campos do Jordão-SP Telefone: (12) 3662-2334